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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Saiba ver além da propaganda eleitoral

Cuidado com as emoções

Nenhum voto é 100% razão. Segundo Luciana Veiga, da UFPR, existem linhas de pesquisa na ciência política que mostram que os eleitores tendem, primeiro, a gostar da pessoa do candidato, antes de arranjar justificativas para dar seu voto. Logo, é natural que os candidatos apelem para o lado emocional, tentando criar uma empatia para facilitar o diálogo com o eleitor, do mesmo jeito que as margarinas e as pastas de dente são sempre vendidas por uma família simpática e feliz. Entretanto, é bom lembrar que, na hora de votar, o importante é conhecer as propostas do candidato e saber se elas são parecidas com as suas – e não se ele é um sujeito alegre que gosta de crianças e cachorros, assim como você. E saiba, também, que cada sorriso e cada lágrima são calculados para conseguir sua simpatia – não que isso seja errado, mas é verdade.

Cuidado com os “padrinhos mágicos”

É natural em eleições municipais que um político de expressão estadual ou federal venha apoiar um determinado candidato, que geralmente não tem a mesma visibilidade. E não há nada de errado nisso. Entretanto, é sempre bom lembrar: quem vai exercer o mandato é o candidato, e não os “amigos” dele. Além disso, é sempre bom avaliar os motivos que levam um político a apoiar outro. Esse apoio existe por comunhão de ideias ou é apenas mais uma peça em uma barganha de cargos? Um bom indicador é verificar se o grupo do político que ofereceu apoio obteve alguma vantagem imediata, ou promessa de vantagem futura. Desconfie também de políticos que trocavam farpas até recentemente, mas que hoje andam de mãos dadas – e vice-versa.


Cuidado com o óbvio

“Sou a favor da saúde, da educação e da segurança”, repetem milhares de candidatos Brasil afora. Todo eleitor deve pensar: “eu também”. Mas, afinal, quem pode ser contra tudo isso? Na verdade, ao dizer ser a favor de coisas que todo mundo é a favor, ou contra o que todo mundo é contra, o candidato se esquiva de ter de se posicionar em relação a temas importantes do debate público. O melhor remédio é buscar aprofundar os assuntos. Se seu candidato diz que é a favor da segurança, tente descobrir se ele é a favor de reduzir liberdades individuais em nome da segurança coletiva – um exemplo é a instalação de câmeras de vigilância nas ruas da sua cidade. A partir dessa posição concreta você pode saber se ele pensa ou não igual a você.

Saiba as atribuições do cargo

Começa a campanha e, com ela, chegam as promessas. Candidatos a vereador prometem implantar a educação integral nas escolas, resolver o problema da fila nos postos de saúde e asfaltar todas as ruas do seu bairro. Já os candidatos a prefeito podem até falar em ligar Curitiba a Ponta Grossa via metrô e triplicar o número de policiais militares na cidade. Antes de acreditar em uma proposta, saiba o que o candidato pode fazer dentro de suas atribuições. A Polícia Militar é um órgão do governo do estado, e não da prefeitura. Quem tem que decidir sobre a implantação da educação integral nas escolas é a prefeitura, e não a Câmara. E por aí vai. Isso não quer dizer que o prefeito não tenha responsabilidade pela segurança, ou o vereador pela educação. Aliás, alguns tentam sair pela tangente dizendo que certas coisas não são de sua atribuição. Verifique isso também.


Afinal, é possível?

Quando a esmola é demais, o santo desconfia. E o eleitor deve desconfiar também. Para Fernando Azevedo, da UFSCar, a principal maneira de evitar ser enganado por um candidato é “analisar as propostas munido de um saudável senso crítico”. Quando o candidato diz que vai construir uma obra faraônica que vai resolver todos os problemas da cida­de, pense: a cidade tem dinhei­­ro para isso? Essa obra vai resolver tudo mesmo? Se era tão óbvio, porque ninguém fez isso antes? Quando o candidato fala de um projeto muito grandioso, veja se ele tem uma resposta, também, para o custo desse projeto e o número de moradores que ele deve atingir. Veja, também, a repercussão da proposta. Se muita gente colocar o projeto em xeque e o candidato não conseguir convencer que ele é viável, alguma coisa está errada.

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