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terça-feira, 23 de julho de 2013

Paraná pode ter geada negra nesta madrugada, diz meteorologista

As lavouras de hortaliças podem ser as mais prejudicadas com a previsão de forte geada (Foto: Reprodução/RPC TV)
Produtor de Londrina cobriu os pés de café com lona para evitar maiores estragos (Foto: Reprodução/RPC TV)
Depois da neve, a previsão para a madrugada de quarta-feira (24) é de forte geada para todas as regiões do Paraná, segundo os meteorologistas. Agora, a atenção está voltada para as lavouras, que devem sofrer com o fenômeno. O agrometeorologista Antônio Oliveira alerta que a previsão de geada segue até sábado (27).
Segundo ele, o estado vive uma situação atípica. “Temos a frente fria estacionada entre Paraná e São Paulo. Na medida em que ela avança, uma massa de ar seco e frio entra no estado. Como estamos com a temperatura atmosférica bastante fria, a temperatura tende a cair ainda mais, ocorrendo esse tipo de situação”, explica.
Oliveira disse que não é possível saber se será outra geada negra, semelhante a que atingiu o Paraná em julho de 1975 e destruiu boa parte das produções no estado. “Precisamos monitorar o comportamento da temperatura. Se ficar muito baixa, pode, sim, ocorrer a geada negra”, revela. Por enquanto, o aviso é para que os agricultores tentem proteger as lavouras.
Hortaliças
De acordo com o responsável do Departamento de Economia Rural (Deral) dos Campos Gerais, da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Roberto Tosatto, os produtores de hortaliças podem sofrer mais com a forte geada, caso não tomem medidas de proteção.

A Região Metropolitana de Curitiba é uma das maiores produtoras de hortaliças do estado. Além da chuva do mês junho, que provocou perda de 30% na produção, a possibilidade de geada forte preocupa os agricultores. “Se continuar esse frio com tendência de geada vai arrasar com toda a plantação. A gente fica com uma pulga atrás da orelha”, afirma o produtor Ivo Valenga.
Na região de Londrina, os agricultores estão se prevenindo. O produtor Alyson Müller cobriu toda a produção de morango, que está no auge da florada. “O morango é muito sensível ao frio e na florada, a perda é de quase 100%. Nós estamos na maior florada do morango e a perda seria grande se não nos protegêssemos”, conta.
Cereais e canola
Nesta época do ano, os cerais e a canola também estão se desenvolvendo nas lavouras do Paraná. Segundo Tosatto, os agricultores que plantaram trigo e aveia em maio podem ter problemas com a geada, diferente de quem fez o plantio em junho. “O cereal plantado em junho está no início e não deve ser prejudicado, mas tudo precisa ver amanhã, fazer uma análise para saber se algo foi perdido”, esclarece.

Já na região de Cascavel, no oeste do estado, a situação é mais preocupante. Os 28 municípios que abrangem a área plantaram 90,5 mil hectares de trigo. De acordo com economista do Deral, Jovir Esser, com a geada, 50% da produção pode ficar comprometida. "Existe uma preocupação porque alguns produtores fizeram renda antecipada, outros aumentaram a área plantada de trigo. Mas no aspecto climático ninguém consegue controlar. Se houver mesmo geada, que não seja intensa e que o produtor tenha feito seguro do trigo", alertou.Na região dos Campos Gerais, a produção de trigo é de 162 mil hectares, segundo Tosatto. Se confirmada a geada negra, a previsão de perda é de 15% nas cidades de Tibagi,Ventania e Arapoti. As mesmas cidades também podem ter problemas com a aveia branca. Dos 29 mil hectares plantados na região, 20% podem ser perdidos. Já canola, que possui 6 mil hectares plantados nos Campos Gerais, não deve ser muito afetada, conforme Tosatto.
Jovir também explica que o último prejuízo por causa da geada foi em 2000, quando 57% do milho safrinha foi perdido. As plantações de canola e aveia, na região de Cascavel, também podem ficar comprometidas. "Nós temos 1,3 mil hectares de canola plantado. Eu imagino que toda a plantação vai ser comprometida", garante.
O alerta de geada negra preocupa porque já causou muitos estragos no Paraná. Em julho de 1975, o fenômeno destruiu grande parte dos cafezais da região norte do estado, afetando profundamente os campos econômico e social paranaense, como lembra o professor de climatologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marco Aurélio de Mello Machado. O café era a principal fonte econômica do Paraná na época.

Segundo o professor, o fenômeno registrado no dia 18 de julho de 1975 foi uma catástrofe no ponto de vista agrícola. "Não tenho dúvidas de que a matriz econômica do Paraná era uma, antes da geada negra, e outra depois da geada. A economia do Paraná dependia basicamente da cafeicultura e a destruição fez com que o governo percebesse que o Paraná não poderia depender somente do café", comenta.
Além do prejuízo econômico, o estrago provocado pela geada negra fez com que famílias, que dependiam da colheita, migrassem para outras regiões do Paraná e também para outros estados.
Além do café, a geada negra de 1975 também afetou a produção de leite no Paraná. O fenômeno danificou o pasto, prejudicando a produção de leite. O professor afirma que, com a queda na oferta de leite, os preços dos laticínios aumentaram, contribuíram para a crise na economia.De acordo com Machado, as consequências da geada negra nas plantações de café foi tão severa porque, com a falta de tecnologias de alertas climáticos na época, os produtores de café não conseguiram se prevenir a tempo de evitar o estrago nas plantações.
Para evitar perdas como as de 38 anos atrás, o produtor de café de Londrina, Manoel dos Santos, cobriu a lavoura com lona e conta que pretende ficar acordado durante a madrugada aguardando pela geada negra. "Se a geada for forte nós temos que queimar pneu, isso segura um pouco o gelo, aí não judia muito do pé de café. Os pés estão bonitos, a colheita vai ser boa", declara.

G PR

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