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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

DOENÇA INFECCIOSA - O perigo da toxoplasmose congênita

ShutterstockA gestação é um momento muito delicado na vida da mulher e também do bebê que ela espera. Várias são as recomendações médicas para as grávidas, entre elas a prevenção da toxoplasmose congênita. A maior preocupação dos especialistas ocorre quando a mulher é soronegativa para a doença e é infectada pela primeira vez durante a gestação. Neste caso, há risco de transmissão da patologia para o bebê, o que pode resultar no nascimento de uma criança com sérios problemas de saúde. 

A infecção congênita pode provocar o nascimento prematuro e deixar no bebê consequências auditivas e neurológicas, como o atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, além de alterações ósseas, renais, hepáticas, e problemas respiratórios e oftálmicos. 

Nem sempre a doença aparece logo após o nascimento. A médica infectologista pediatra da Universidade Estadual de Londrina, Jaqueline Capobiango, explica que o parasita pode ficar latente e se manifestar na fase adulta. "Entre 50% e 80% das crianças que são infectadas desta forma apresentam sequela ocular em alguma fase da vida", salienta. A toxoplasmose pode, inclusive, causar a perda da visão. 

As crianças que nascem com suspeita da doença precisam de acompanhamento médico para definição de diagnóstico e tratamento. "Entre 70% e 90% das crianças que apresentam toxoplasmose congênita são assintomáticas, os cerca de 10% que apresentam sintomas nascem com quadros graves", complementa. 

Infecção
Estudos apontam que entre 40% e 50% das gestantes brasileiras são suscetíveis à toxoplasmose, e que em cerca de 40% dos casos de grávidas infectadas, o bebê também é atingido. "No primeiro trimestre da gestação há menor risco de infecção, mas se ela ocorrer a gravidade das sequelas para o bebê são maiores", afirma a médica. A situação inversa acontece se a infecção ocorrer no último trimestre da gestação, quando há mais chances de infectar o bebê, mas neste caso as sequelas da doença são menos graves. 

Pesquisas constataram que no Brasil entre 25% e 40% das gestantes são soronegativas para toxoplasmose. Um estudo realizado por um grupo de pesquisa da Universidade Estadual de Londrina (UEL), entre 2004 e 2010, revelou que a incidência da doença na cidade era de 1,8 casos para cada mil gestantes no ano de 2004, e após a realização de um programa de orientação às gestantes, o número de casos foi zerado. 

Quando a gestante é diagnosticada com toxoplasmose, o tratamento deve ser iniciado o quanto antes a fim de prevenir a infecção do bebê e tratá-lo, caso ele já tenha sido infectado. 

O diagnóstico é feito através de exames de sangue realizados durante o pré-natal. A identificação precoce e o início rápido do tratamento diminuem a chance de infecção fetal e alguns medicamentos podem reduzir a gravidade das sequelas no feto, se a transmissão já tiver ocorrido. 

Sintomas
De acordo com a médica, a maioria dos adultos infectados não tem sintomas da doença. Uma vez em contato com o organismo, o parasita pode causar febre, manchas pelo corpo e inchaço do fígado e outros sinais que passam em poucos dias. As células de defesa cercam e isolam o micro-organismo, que pode permanecer latente durante vários anos até que o organismo apresente uma queda na imunidade e ele se manifeste (como ocorre nas pessoas com Aids ou que passaram por transplantes e quimioterapia). 

Aqueles que desenvolvem a doença podem ter aumento dos gânglios na região do pescoço, quadro generalizado de febre, prostração, dores pelo corpo, inchaço no baço ou até focos múltiplos de encefalite com graus variáveis de hemorragia cerebral nos casos mais graves. Há também uma porcentagem de pacientes que desenvolvem a forma ocular da doença. 

Não comer carne crua ou mal passada, consumir apenas frutas, verduras e legumes que estiverem muito bem lavados e não mexer na terra ou areia sem utilizar luvas são algumas das orientações mais importantes feitas pelos médicos para evitar esta doença infecciosa. (Veja quadro nesta página) 

Manifestação baixa
Há poucas pesquisas sobre o assunto, mas estima-se que cerca de 60% dos brasileiros já tenham sido infectados pelo parasita toxoplasma gondii, mas a maioria das infecções são assintomáticas. Pesquisadores constataram que as cepas (alterações genéticas) do toxoplasma gondii presentes no Brasil são bastante virulentas, o que resulta diretamente no maior risco e gravidade das lesões oculares. Em 2010, a doença foi responsável pela morte de 80 brasileiros. 


Michelle Aligleri - FolhaWeb

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