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domingo, 8 de dezembro de 2013

Prestes a deixar Casa Civil, Gleisi diz que superou 'pouca experiência'

À frente da Casa Civil da Presidência da República desde junho de 2011, a ministra Gleisi Hoffmann se prepara para deixar o posto. Para concorrer ao governo do Paraná, ela deve sair na reforma ministerial que a presidente DILMA pretende promover no início do ano que vem. Pela legislação, ministros têm de deixar o cargo seis meses antes da eleição.
Gerente de programas estratégicos da administração federal, Gleisi fez ao G1 um balanço dos dois anos e meio em que tem comandado uma das principais pastas da Esplanada dos Ministérios. Ela lamentou ter assumido o cargo com “pouca experiência”.
“Me ressinto de várias questões que poderia ter feito de forma melhor [na Casa Civil]. Talvez, a que eu mais me ressinto é a pouca experiência que tinha quando entrei para exercer o cargo. Pouca experiência na esfera federal, em um posto com essa dimensão", afirmou a ministra ao G1.
Antes de assumir a Casa Civil, a ministra já tinha sido secretária de Estado em Mato Grosso do Sul e secretária de Gestão Pública em Londrina (PR). Em 2002, participou da equipe de transição para o governo Lula. Em seguida, foi convidada pelo ex-presidente para ser diretora Financeira da Itaipu Binacional.Eleita em 2010 para seu primeiro mandato como senadora pelo Paraná, Gleisi assumiu a Casa Civil na esteira de um escândalo que derrubou o então titular da pasta, Antonio Palloci, que era considerado o homem-forte do governo Dilma. Formada em direito e com especialização em gestão de organizações públicas e administração financeira, Gleisi estreou na política no movimento estudantil, em Curitiba. Casada com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, com quem tem um casal de filhos, ela se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 1989, ano da primeira candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.
"Já tinha exercido cargos executivos em outras instituições públicas, federal, como foi Itaipu, e no âmbito de estado e município, mas não [um posto] da envergadura da Casa Civil. Acredito que no início foi mais difícil e eu devo ter perdido tempo em situações que poderiam ser mais agilizadas e com melhor resultado”, declarou.
Ao deixar a Esplanada, Gleisi reassumirá o cargo de senadora, para o qual foi eleita com 3,1 milhões de votos. Ao longo dos quatro meses em que ocupou a cadeira no Senado, se destacou pela afinidade com presidente e pelo estilo aguerrido com que defendeu os interesses do Palácio do Planalto. Devido ao estilo contundente que adotou no parlamento, ganhou o apelido de "dama de ferro". 
Apesar de falar sobre a possibilidade de deixar a pasta em 2014, Gleisi evita falar sobre a hipótese de candidatura à sucessão do governador paranaense Beto Richa (PSDB). “Definição sobre eleição e conversa sobre campanha cabem a 2014, não agora”, desconversou.
Às vésperas de retornar para os carpetes azuis do Senado, ela diz não ter receio de enfrentar divergências com os colegas de Legislativo em razão dos desentendimentos que colecionou no comando da Casa Civil.
“Tenho uma relação muito boa com os meus pares, com os senadores, com muitos deputados. Sempre procurei manter essa relação, não só por uma questão de relacionamento pessoal, por eu ser parlamentar, mas também por causa do governo. As críticas são naturais, nem sempre você tem convergência em todos os temas. Mas eu acredito que, hoje, a relação do governo com o Congresso é muito saudável”, disse.
Lamento
Ao analisar sua atuação na Casa Civil, a ministra disse lamentar a possibilidade de ter de deixar a pasta antes de concluir as concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos ao setor privado.
“Eu gostaria de ter encerrado o processo de concessões. Obviamente, que sabia que isso não ia acontecer porque o cronograma já extrapolava o ano. Mas gostaria de ter entregado de forma completa”, afirmou.
Na retrospectiva de sua gestão, ela também fez comentários a chefe, a presidente Dilma Rousseff. Apesar da fama de durona, a ministra julga “muito positiva” a cobrança que a presidente exerce sobre a Casa Civil.
“Ela [Dilma] conhece muito o funcionamento da Casa Civil e isso dá a ela condições de cobrar de forma mais detalhada o desempenho da função e também nossas respostas”, observou.
Gleisi, no entanto, evita falar sobre a eventual participação que Dilma – que já esteve quatro vezes no Paraná somente em 2013 – na possível campanha ao governo paranaense.
“A presidente Dilma Rousseff vai ter um papel na campanha eleitoral dela e de todos os candidatos que vier a apoiar”, esquivou-se.
G1 PR

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