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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Hospital de Assaí segue com dificuldades

Enquanto o Ministério Público e a Polícia Civil seguem as investigações que apuram irregularidades no Hospital Municipal de Assaí, a Prefeitura se prepara para assumir a administração da unidade. Desde agosto do ano passado, com a medida judicial que afastou o Instituto Pró-Vida, o hospital foi municipalizado, mas os serviços foram terceirizados, em contrato emergencial para a empresa Atual Médica Gestão de Saúde, de Quitandinha (PR). 

No mês que vem, com o vencimento do contrato de seis meses, a prefeitura ficará responsável pela contratação dos médicos e administração geral. Apenas os serviços de recepção, limpeza e cozinha serão terceirizados. Com esta medida, o prefeito Luiz Alberto Vicente (PSDB) pretende economizar pelo menos 60% do atual R$ 1,2 milhão do contrato. "Será um economia importante para os cofres públicos", destacou o prefeito. 

Os reflexos da transição turbulenta ainda são sentidos no hospital, administrado com dificuldades. Vicente reconhece que a saúde ainda está muito abaixo do ideal, mas adiantou que montou uma equipe para melhorar o atendimento nos próximos meses. "Pegamos o hospital em uma situação deplorável, sem nenhum funcionário. Quem entrou não tinha a experiência necessária. Foi como consertar um avião no ar, mas, aos poucos, vamos colocando a casa em dia". 

O prefeito informou que todos os repasses federais e estaduais entram na conta da prefeitura, diferente da gestão anterior que, segundo o prefeito, era depositado na conta do Pró-Vida. Segundo a assessoria da promotora de Justiça Ana Maria de Oliveira Santos, dois procedimentos de investigação propostos pelo município correm na 1ª Promotoria de Justiça de Assaí para investigar indícios de fraudes no repasse das Autorizações de Internações Hospitalares (AIH). 

Em setembro, o prefeito exonerou o secretário de Saúde, Jorge Junior Torquato, que vinha no cargo desde a gestão anterior, após recomendação do MP. A denúncia apontava a constituição de uma empresa de fachada para contratação com o Hospital Municipal, terceirizado para o Pró-Vida, de máquina de raio-X supostamente de propriedade do então secretário municipal. Torquato, que é vereador em Assaí, se diz inocente da acusação. 

O advogado de Torquato, Dely Dias, defendeu que pode ter ocorrido um erro de o aparelho de raio-X do cliente ter sido colocado no hospital, mas negou que Torquato tenha tirado vantagens econômicas do caso. "A empresa nunca foi de fachada e os preços praticados eram dentro da realidade do mercado", apontou. O advogado relatou que o aparelho foi incluído na lista de bens do Pró-Vida e continua retido no hospital. "O aparelho pertence à empresa Radmed, da cunhada de meu cliente. Após provarmos a inocência dele, faremos a requisição judicial do aparelho". 

O inquérito policial que investiga irregularidades no hospital segue aberto na 34ª Delegacia Regional de Polícia (DRP) de Assaí, sem previsão de ser concluído. A polícia aguarda o resultado de uma auditoria nas contas do hospital feita pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) de Curitiba.
Celso Felizardo
Reportagem Local FolhaWeb

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