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20 Oct
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Por: Portal Tarobá com AEN = Foto: Regina/CCM Patrimônio

Três estudantes do Colégio Estadual Cívico-Militar do Patrimônio Regina, em Londrina, estão desenvolvendo uma solução à base de arruda para tentar afastar escorpiões. A pesquisa começou em março e busca uma alternativa de baixo custo diante do número de acidentes envolvendo esses animais no Paraná.

O projeto é desenvolvido por alunos do 9º ano do Ensino Fundamental que participam da Sala de Recursos de Altas Habilidades/Superdotação. A proposta utiliza a planta Ruta graveolens, conhecida popularmente como arruda, como base para uma solução cuja capacidade de repelir escorpiões ainda precisa ser comprovada.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Paraná registrou 8.472 acidentes com escorpiões em 2025, dos quais 1.144 ocorreram em municípios atendidos pela 17ª Regional de Saúde de Londrina.

Até setembro de 2026, o estado contabilizou outros 5.265 casos, sendo 678 na região de Londrina.

Testes iniciais foram realizados com formigas

A pesquisa ainda está em fase inicial. Como os estudantes não receberam autorização para realizar testes com escorpiões vivos no ambiente escolar, o grupo adaptou a metodologia e fez os primeiros ensaios com formigas.

Segundo os alunos, os insetos evitaram as áreas tratadas com a solução nas duas rodadas de testes realizadas.

O resultado é considerado um indicativo inicial para a continuidade da investigação, mas não comprova que a fórmula seja eficaz contra escorpiões. Embora formigas e escorpiões pertençam ao grupo dos artrópodes, são animais diferentes e podem reagir de maneiras distintas às mesmas substâncias.

A próxima etapa prevê a realização de testes controlados nos laboratórios da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em parceria com a equipe científica da instituição.

Pesquisa busca alternativa de baixo custo

O projeto utiliza folhas e ramos de arruda para extrair substâncias vegetais que possam apresentar efeito repelente. A proposta é desenvolver uma solução acessível, com possibilidade de aplicação em locais onde o risco de contato com escorpiões é maior.


O estudante Rodrigo Lorenzo Gomes da Silva, de 15 anos, integrante da equipe, destaca que a facilidade de encontrar a planta motivou a escolha do material.

O grupo também pretende investigar quais concentrações seriam necessárias para obter um possível efeito repelente, por quanto tempo a solução permaneceria ativa e qual seria o alcance da aplicação.

Outro ponto importante será avaliar a segurança para pessoas e animais domésticos antes de qualquer possível recomendação de uso.

A solução ainda não tem eficácia comprovada contra escorpiões e não deve substituir as medidas oficiais de prevenção. A arruda também pode causar reações na pele, especialmente após exposição ao sol, e o uso de extratos caseiros exige cautela.

Projeto tem foco social

Além de investigar o potencial da solução, os estudantes pretendem compartilhar os resultados da pesquisa com moradores de regiões vulneráveis, onde as condições ambientais podem favorecer a presença de escorpiões.

A intenção é transformar o conhecimento produzido na escola em uma contribuição para a comunidade, desde que a eficácia e a segurança da alternativa sejam confirmadas nas próximas etapas.

O trabalho foi apresentado na Feira Nacional de Altas Habilidades/Superdotação (FENAAH/S), realizada em Foz do Iguaçu e organizada pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR).

A professora de Biologia e orientadora do projeto, Natália Cenedesi Vicentim Bom, destaca a importância de feiras científicas para estimular a pesquisa, o intercâmbio de experiências e a busca de soluções para problemas enfrentados pela sociedade.

Como prevenir acidentes com escorpiões?

Enquanto a pesquisa avança, a orientação das autoridades de saúde é adotar medidas preventivas para reduzir a presença desses animais nas residências.

Entre as principais recomendações estão:

  • Não acumular lixo, entulho, madeira, telhas e outros materiais em desuso;
  • Manter ralos protegidos com telas ou dispositivos de fechamento;
  • Vedar frestas em paredes, portas, rodapés e janelas;
  • Usar luvas e calçados fechados ao mexer em materiais de construção ou limpar quintais;
  • Sacudir roupas, calçados e roupas de cama antes de utilizá-los.

Em caso de picada, a recomendação é procurar atendimento de saúde imediatamente. Não se deve esperar o aparecimento de sintomas para buscar orientação.

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) também presta orientações pelos telefones:

CIATox Paraná: 0800 041 0148

CIATox Londrina: (43) 3371-2244

CIATox Maringá: (44) 3011-9127

CIATox Cascavel: (45) 3321-5261