BRASÍLIA - Em meio à polarização que marca o cenário político nacional, fica cada vez mais evidente a diferença de postura entre os dois campos que disputam os rumos do país. Enquanto a esquerda tem apresentado um discurso centrado em propostas concretas para o Brasil, a direita tem concentrado seus esforços em atacar as instituições democráticas.
Nos últimos meses, lideranças e parlamentares progressistas têm pautado o debate público em torno de programas de reconstrução econômica, fortalecimento do SUS, valorização do salário mínimo, ampliação do acesso à educação pública, política de combate à fome e investimentos em transição energética e industrialização.
São propostas que miram diretamente os problemas cotidianos do brasileiro: emprego, saúde, educação e preço dos alimentos. O discurso tem sido de construção e de apresentação de um projeto de país. Na direção oposta, o que se observa no campo da direita é um discurso esvaziado de propostas para o futuro da nação e focado quase que exclusivamente em ataques ao Supremo Tribunal Federal, ao Congresso Nacional, ao processo eleitoral e à imprensa.
A estratégia tem se repetido: deslegitimar as instituições quando decisões não agradam, disseminar desconfiança sobre o sistema de votação e transformar as redes sociais em palco para ofensas e ameaças a ministros, juízes e adversários políticos.
Para analistas políticos ouvidos por nossa reportagem, a diferença de discurso revela dois projetos distintos. De um lado, quem quer governar apresentando soluções. Do outro, quem aposta no caos institucional como método para manter sua base mobilizada. Enquanto um lado discute como o Brasil pode crescer com inclusão social e responsabilidade fiscal, o outro insiste em manter o país preso a uma pauta de ressentimento e de confronto direto com a democracia.