Goiânia — Em uma tentativa de se defender da acusação de que pretende mexer no título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) decidiu atacar a própria Igreja Católica.
Neste domingo (27/9), em entrevista em Goiânia, Flávio acusou integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de terem ajudado a disseminar a informação falsa de que ele pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A declaração elevou a temperatura do embate entre o candidato e setores da Igreja a uma semana do primeiro turno.
A narrativa que o candidato tenta rebater nasceu de um trecho descontextualizado e foi amplificada durante a semana. Em lives e programas de debate, o próprio Flávio resumiu a acusação com a frase: "Fake news sobre Nossa Senhora teve ajuda de dentro da CNBB".
Para provar que respeita os católicos, a estratégia foi mirar na instituição que os representa. No sábado (26/9), a campanha promoveu uma transmissão ao vivo com o objetivo central de desmentir a circulação de publicações sobre Aparecida, com o tema de que "atacar a Igreja é atacar uma instituição".
No domingo, o tom subiu de desmentido para acusação direta contra a CNBB. No mesmo movimento, Flávio tentou inverter o jogo e criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por declarações recentes relacionadas à Igreja Católica e ao celibato dos padres, afirmando que jamais falaria para a Igreja Católica sobre a forma como os padres devem conduzir a igreja.
A reação foi imediata. O advogado-geral da União, Jorge Messias, prestou total solidariedade à CNBB diante dos ataques e agressões que, segundo ele, vem sofrendo por parte do candidato Flávio Bolsonaro.
O paradoxo marca a reta final da campanha: acuado pela repercussão negativa entre eleitores católicos, Flávio tenta provar que não ataca os católicos atacando justamente a entidade máxima do catolicismo no país.