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30 Sep
30Sep

1. O desgaste anterior - a padroeira

Na semana passada circularam publicações associando Flávio Bolsonaro (PL) a um suposto plano para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. 

A história recuperou um projeto de 2007 do então deputado Victório Galli (MDB-MT) para trocar a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos" no feriado de 12 de outubro. Esse projeto foi apresentado em 2007, arquivado em 2008 e não tem relação com Flávio. 

A narrativa ganhou força após uma fala no programa 'Em Pauta', da GloboNews. O canal corrigiu na madrugada de sexta (25) e pediu desculpas. No dia 25, o ministro do TSE André Mendonça determinou remoção de publicações por considerá-las "notoriamente inverídicas". Flávio negou e chamou de fake news.

Mesmo após a correção, Lula explorou o caso no Canal Livre da Band no domingo (27), dizendo que "mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável". A jornalista Adriana Araújo o interrompeu informando que se tratava de fake news. 

2. A nova fala - o "toque"

Na noite de segunda-feira (29/9), em agenda em Belém (PA), ao defender prevenção ao câncer de próstata, Lula disse:

“A minha mãe morreu de câncer aos 65 anos de idade, porque naquele tempo as condições de tratamento era muito precária. E hoje eu vi uma coisa que me orgulha. Eu vi uma coisa fantástica. Nós hoje fizemos a primeira operação robótica de próstata aqui no estado do Pará e no norte do país. A primeira operação robótica.

E por que que isso é importante? Porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta, ele não gosta de toque, sabe? As mulheres aprendem tomar toque desde quando é pequena. O homem não, ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que quando ele tiver câncer de próstata vão dar muito toque nele.”

3. Como a campanha de Flávio está usando

Segundo o Metrópoles reproduzido pelo Portal Go 62, a campanha de Flávio passou a explorar a declaração na tentativa de reduzir o desgaste provocado pela polêmica da padroeira. A estratégia foi adotada pelo grupo do candidato do PL na reta final do primeiro turno, para deslocar o debate. 

A ação foi coordenada nas redes:

Rogério Marinho (PL-RN) disse que seria insulto e "desprezo" pelas mulheres

Daniella Marques classificou como "abjeta" 

Guilherme Derrite e Nikolas Ferreira reproduziram em vídeos. Nikolas chamou de "errada e nojenta" e argumentou que meninas não são submetidas rotineiramente a exames ginecológicos internos desde a infância 

O PL produziu uma peça que, após exibir a fala de Lula, apresenta dados sobre estupros de vulneráveis e afirma não haver "razão, causa ou circunstância que justifique tomar toque desde pequena" 

Horas depois, o próprio Flávio publicou vídeo:

"Ô, Lula, eu tenho duas filhas pequenas, uma de 14 e uma de 12 anos. E elas não estão acostumadas a tomar toques desde criança, não. Essa sua fala é preconceituosa, é machista e de quem não entende nada." 

4. Reação da campanha de Lula

Na terça-feira, a campanha petista disse em nota que o presidente se referia à rotina de exames ginecológicos de prevenção e acusou a oposição de "deturpar" a declaração, chamando de "mais uma ação do gabinete do ódio bolsonarista". 

Além da nota, acionou o TSE para pedir remoção de publicações de Nikolas Ferreira e que ele seja impedido de publicar conteúdos com "idêntico teor", argumentando que ele atribuiu outro significado à fala ao usar expressões como "nojento" e associar à ideia de "toque vaginal interno em crianças". 

Na noite de terça, em comício na Bahia, Lula se defendeu dizendo que a intenção foi comparar a resistência dos homens ao exame de próstata com a disposição das mulheres para exames ginecológicos desde jovens. A primeira-dama Janja comentou o caso e chamou Nikolas de "piá de bosta", termo usado no Sul para menino mau criado.