Redação Bonde com Agência UEL
A busca por soluções que reduzam o consumo de água na agricultura tem levado pesquisadores da UEL (Universidade Estadual de Londrina) a desenvolver novas variedades de tomate capazes de suportar longos períodos de estiagem. O trabalho é conduzido pelo professor Juliano Vilela de Resende, do Departamento de Agronomia, e aposta no melhoramento genético para criar plantas que mantenham a produtividade mesmo com uma irrigação significativamente menor.
Desenvolvida há mais de uma década, a pesquisa reúne docentes, estudantes de graduação e pós-graduação e conta com a colaboração de pesquisadores das áreas de Biologia Animal e Vegetal e Química. O objetivo é combinar características de espécies silvestres naturalmente resistentes à seca com variedades comerciais, resultando em tomates mais adaptados às mudanças climáticas e às limitações hídricas enfrentadas pela agricultura.
O desafio é relevante porque o tomate está entre as hortaliças que mais exigem água durante o cultivo. Em média, são necessários cerca de 7 milhões de litros por hectare para garantir o desenvolvimento da lavoura. Além disso, o sistema de produção demanda elevado consumo de energia para irrigação, fertilização e aplicação de defensivos, fatores que elevam os custos para o produtor.
Para alcançar esse objetivo, os pesquisadores utilizam espécies silvestres como Solanum pennellii, Solanum chilense e Solanum galapagense, reconhecidas pela resistência natural ao estresse hídrico. Essas plantas são cruzadas com linhagens comerciais e, ao longo de várias gerações, passam por testes rigorosos para identificar os indivíduos que conseguem manter bom desempenho mesmo sob restrição de água.
O processo de seleção é longo e pode levar entre sete e oito anos até a obtenção de uma nova cultivar. Segundo Juliano Vilela de Resende, os resultados já demonstram avanços importantes. Os híbridos desenvolvidos pela equipe conseguem crescer utilizando aproximadamente 30% da água normalmente empregada no cultivo convencional, sem comprometer o potencial produtivo.
Além da expressiva economia de água, a tecnologia pode reduzir os gastos com energia elétrica, tornando a produção mais sustentável, especialmente em regiões sujeitas à escassez hídrica. Os novos híbridos também apresentam características valorizadas pelo mercado, como maior valor nutricional, sabores mais adocicados e maior diversidade de formatos e cores.
O projeto também serve de base para uma tese de doutorado em andamento e mantém cooperação com instituições nacionais e internacionais, entre elas a West Virginia University, a University of Kentucky e a UFLA (Universidade Federal de Lavras).